quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Olha, uma mudança


A assembleia geral da IAEA aprovou uma resolução (não vinculativa, claro) que apela a que o estado de Israel assine o Tratado de Não Proliferação Nuclear, ratificado já por quase todos os países do mundo com e sem armas nucleares (Irão incluído).

A resolução passou com 49 votos a favor, 45 contra e 19 abstenções. Parece que muitos países do chamado Terceiro Mundo se cansaram da política de dois pesos e duas medidas do ocidente. Ou talvez não tenham recebido contrapartidas económicas suficientes para continuarem a vender o seu voto pela melhor oferta das suas antigas potências coloniais. É a crise.

Há 18 anos que Israel, os Estados Unidos e os restantes países ocidentais bloqueavam a passagem desta resolução sem dentes, não fossem os israelitas serem obrigados a reconhecer publicamente que são a única potência nuclear do Médio Oriente, com um arsenal de mais de 200 armas.

Não muda nada, mas sempre é uma mudança. E para menos mal muda-se sempre.

Conhecer o Ronaldo é fixe mas eu queria era o médico dele


Nada como o The Onion para colocar as visitas de celebridades às criancinhas doentes do hospital em perspectiva.

Israel 1 - Obama 0

Obama decidiu, discretamente, deixar de insistir no congelamento de novas construções nos colonatos israelitas da Cisjordânia.

O ministro dos negócios estrangeiros israelita foi menos discreto, anunciando a reunião de Netanyahu em Nova Iorque com Obama e um muito desapontado Mahmoud Abbas como um grande triunfo diplomático (pelo simples facto de ter ocorrido), que veio demonstrar que Israel em geral, e este governo em particular, não cede a pressões externas nem para fazer o que devia.

O presidente da mudança já percebeu, como todos os presidentes desde Carter, que há uma coisa que nunca muda na política americana para o Médio Oriente: pode-se fazer tudo menos contrariar Israel.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Boas notícias


O governo sul-africano anunciou que o número de assassinatos na África do Sul desceu 3.4% este ano: entre Abril de 2008 e Março de 2009 foram mortas apenas 18,148 pessoas.

Num país de quase 50 milhões de habitantes, são cerca de 5o homicídios por dia, ou 4 guerras do Iraque por ano, todos os anos.

Quem tem facebook tem tudo


Já viram aqueles filmes em que o KGB ou a CIA ou a Mossad apanham um tipo qualquer e o torturam para saber onde ele vive, quem são os seus amigos, quais são as suas actividades, onde é que esteve na semana passada, o que vai fazer nessa noite, quem são os seus associados ou que interesses é que ele tem.

É impressão minha ou agora temos isso tudo disponível online?

Dantes, torturava-se para obter informação. Agora, basta ir ao Facebook, ao hi5, seguir todos os rastos digitais que vamos deixando, um pouco por todo o lado.
Nem em mil novecentos e oitenta e quatro os governos sonhavam com tantas facilidades.

Torturar agora só mesmo por diversão (há quem goste de o fazer), dissuasão (há quem tenha medo que lhe façam) ou em certas populações offline, como os afegãos.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

A Guerra Fria acabou, outra vez


O Presidente Obama informou os governos europeus de leste que os Estados Unidos vão desistir da instalação de uma cobertura anti-míssil na Polónia e Chéquia.

Segundo Bush, esta rede de mísseis protegeria a Europa de um ataque nuclear ou coisa do género vindo do Irão. Como nenhum míssil iraniano (passado, presente e, provavelmente, futuro) chega sequer aos Balcãs, ninguém soube explicar muito bem o que é que os mísseis estavam a fazer na Polónia e os radares na Chéquia: se o perigo era o Irão, não deviam ser instalados assim na Turquia ou coisa do género?

A Rússia sabia muito bem quem é que a cobertura anti-míssil servia para manter na ordem. Agora, depois de anos de arrefecimento de relações, as coisas parece que vão voltar a aquecer (de uma maneira boa).

Obama revela alguma coragem política, visto que não se safa de ser acusado pelos republicanos de capitular perante a Rússia de Putin, etc. Claro que estes, ao fazê-lo estão apenas a confirmar o que os russos sempre disseram.

Se calhar é desta que a Guerra Fria acaba de vez.


sexta-feira, 11 de setembro de 2009

O dia em que o mundo se convenceu que nada voltaria a ser o mesmo


Faz hoje 8 anos que o mundo deu uma volta de 360º. É por isso que o que não está um pouco pior está exactamente na mesma.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

5 milhões de escoceses respiraram de alívio



Em Kuala Lumpur, capital da malásia, há um pequeno restaurante de comida indiana chamado McCurry. Segundo os proprietários, o nome é uma abreviatura de "Malaysian Chicken Curry", um prato malaio típico.
Mas segundo a McDonald's, o nome é uma violação flagrante da sua marca registada, apesar da única semelhança ser mesmo o Mc. Depois de 8 anos de batalhas legais, o Supremo Tribunal da Malásia deu finalmente razão ao pequeno estabelecimento.
A vitória improvável do pequeno restaurante malaio sobre uma das maiores corporações do planeta anda a despertar o lado bíblico das pessoas, com comparações à fábula de David contra Golias.
Apesar de reconhecer que a McDonald's tem razão muitas vezes nos processos legais que inicia, não é preciso ser do Bloco de Esquerda para apreciar o facto de que uma das maiores corporações do mundo tentou, durante 8 longos anos, fechar um pequeno negócio familiar. E perdeu.

I'm lovin' it®.

mil novecentos e oitenta e quatro, 25 anos depois


Sou eu ou chamar "crescimento natural" à construção de novos colonatos, "técnicas de interrogação avançadas" a tortura, "danos colaterais" à morte de civis, "força de manutenção da paz" a um exército de ocupação, etc, parece-se muito com newspeak?

A democracia, enfim


Confrontada com provas crescentes de fraude eleitoral em grande escala, a comissão eleitoral afegã decidiu, este domingo, tomar medidas para que os votos irregulares não fossem contabilizados.
Segunda-feira, no entanto, quando se tornou evidente que descontar os votos fraudulentos impediria Karzai de chegar aos 50%, mudaram de ideias, poupando o presidente às indignidades de se submeter a uma segunda volta. Hamid Karzai obteve finalmente a maioria absoluta necessária para ser declarado vencedor nas eleições afegãs.
A fraude eleitoral foi tão descarada que as Nações Unidas tiveram a indelicadeza de pedir uma recontagem dos votos ao mesmo tempo que funcionários governamentais anunciavam triunfalmente os resultados.
Reconduzir um governo corrupto, impopular, incompetente e com ligações muito próximas ao narco-tráfico (o irmão do presidente é um dos sultões da droga locais) é fundamental para a estratégia americana de trazer a democracia à região. No entanto, a fraude deixa os EUA numa situação delicada: depois de toda a indignação com o roubo das eleições iranianas, com que cara é que podem continuar a declarar o seu apoio ao presidente reeleito?

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Desintoxicação à mexicana


Um grupo de homens armados entrou numa clínica de reabilitação em Ciudad Juarez, mesmo na fronteira com os EUA, e deu alta definitiva a 17 dos pacientes, tendo deixado outros 3 em pior estado do que estavam antes.

Ao que parece, alguns traficantes de droga locais acusam as clínicas de protegerem traficantes de grupos rivais. Ou talvez não queiram perder clientes devido a desintoxicações bem sucedidas.

Tudo isto é só o mais recente episódio dessa novela sangrenta em que se transformou o México desde que o governo declarou guerra aos Cartéis. Em 14 meses, o número de mortos já ultrapassou os 6000, 2000 só em Ciudad Juarez (porque fica mesmo na fronteira com os EUA). O que é mais do que o número de americanos e britânicos mortos no Iraque e Afeganistão desde 2001.

A coisa boa de países como o México é que nos estão sempre a lembrar de como é bom viver em Portugal.