Terça-feira, 14 de Julho de 2009

Surpresa

A CIA tinha um programa secreto para assassinar líderes da Al Qaeda. A revelação surpreendeu os congressistas americanos, até porque a lei obriga a que o Congresso seja informado de toda e qualquer actividade da CIA. Uma lei criada nos anos 70 precisamente para impedir programas de assassinato secretos.

Mas para quem já viu filmes do Chuck Norris, Steven Seagal, Sylvester Stallone, etc, surpresa seria não haver um plano qualquer do género. Metade dos filmes de acção de Hollywood são sobre operações secretas para assassinar ou capturar terroristas, traficantes de droga ou terroristas/traficantes de droga.

O programa, criado depois dos ataques de 11 de Setembro de 2001, nunca foi para a frente por causa dos problemas legais e logísticos de fazer entrar tropas num pais estrangeiro para matar um tipo qualquer de turbante. Ou mais precisamente, pela dificuldade de o fazer e voltar a sair sem ser visto ou apanhado.

Descobrir preocupações com a lei internacional na administração Bush/Cheney é a verdadeira surpresa. Mas o proverbial secretismo e abuso de poder da famigerada dupla levam a pensar que o problema foi outro: encontrar alguém à altura das expectativas criadas pelos filmes do Rambo, Desaparecido em Combate, Força Delta e outras grande tretalogias do cinema de acção.

O verdadeiro programa de assassinatos não tem nada de secreto. Continua a ser aplicado, com a aprovação do novo presidente, e os seus resultados podem ser vistos quase todos os dias no telejornal.

Com nome inspirado noutro grande franchise do cinema de acção, os veículos aéreos não tripulados Predator continuam a entrar em países estrangeiros para matar um tipo qualquer de turbante (e toda a gente que estiver por perto), à distância e controlado por Rambos de computador. E fazem-no à vista de todos.


Sexta-feira, 10 de Julho de 2009

Quantos G são demais?


O G-6 foi criado para que os países mais ricos do mundo (na altura, Estados Unidos, Japão, Alemanha, Reino Unido, França e Itália) se pudessem juntar de vez em quando para darem palmadinhas nas costas uns dos outros. Depois veio o G-7, que era os G-6 mais o Canadá, que era suficientemente rico, simpático e civilizado para fazer parte do clube. Depois, os russos quiseram entrar para o clube também (apesar de não terem dinheiro na altura, 97), com o argumento de que tinham demasiadas bombas nucleares para serem deixados à porta. Nasceu o G-7+1, que eventualmente se passou a chamar de G-8.

Mas a coisa não podia ficar por aí. Os países novos-ricos são como as pessoas: querem ser reconhecidos como membros de qualquer coisa importante e exclusiva. E não descansarão enquanto a sua candidatura não for aceite, mesmo que o clube deixe de ser exclusivo porque eles passaram a fazer parte dele.

Com outros países a baterem à porta, de PNB em crescimento na mão, os G-8 começaram a ter cada vez mais países convidados.

Um grupo (China, Índia, Brasil, México e África do Sul) passou mesmo a ser conhecido como os G-5, e a reunião dos G-8 transformou-se num mais representativo mas caótico G-8 + 5. O objectivo dos G-5 é fazerem parte dos G-8, que passariam a ser os G-13. Enquanto isso não acontece, a missão dos G-5 é sabotar as decisões dos G-8 como irrelevantes porque não os incluem.

Além destes 13, costuma haver convidados adicionais, desde países (este ano é +1, o Egipto) a organizações internacionais. E é aqui que as coisas ficam realmente absurdas, com encontros de trabalho a listar os participantes como sendo os G-8 + 5 + 1 + 5

À medida que vai crescendo o número de membros, no entanto, a força dos G vai diminuindo. Por um lado, não pode ignorar os méritos das candidaturas de países como a China , a índia ou o Brasil. Por outro, e como qualquer clube exclusivo, a influência que exerce diminui um pouco com cada novo membro que aceita.

A reunião que realmente importa hoje em dia (segundo dizem) é a dos G-20, que são os G-8 + G-5 + 6 (Argentina, Austrália, Indonésia, Arábia Saudita, Coreia do Sul e Turquia) e ainda (porque França, Reino Unido, Itália e Alemanha não era suficiente), + 1, a União Europeia. Deve ser porque é um encontro dos ministros da economia e directores de bancos centrais, em vez de Berlusconis e criaturas do género.

O único mérito do G-8 + 5 ou do G-20 é demonstrar ao mundo, com a clareza que só os números podem ter, que os G-192 (mais conhecidos por ONU) são cada vez menos relevantes.


Quarta-feira, 8 de Julho de 2009

Los assholes



Há sempre outra maneira de ver as coisas.

Terça-feira, 7 de Julho de 2009

O degelo recomeça


Depois de um período (conhecido como "os anos Bush") de quase reatamento da guerra fria, os Estados Unidos e a Rússia anunciaram que estão a combinar diminuir a sua capacidade de destruir a humanidade num holocausto nuclear de 10 vezes para apenas 7. 
Não parece grande coisa, mas o que importa é que as pessoas que têm 95% das armas nucleares do mundo voltaram a falar uns com os outros. 
Um pouco de confiança restaurada, combinada com a continuação da destruição mútua assegurada, são as melhores garantias da continuação da paz entre as duas superpotências nucleares, que está quase a fazer 65 anos e parecia à beira da reforma apenas um ano atrás. 

Segunda-feira, 6 de Julho de 2009

Mas eles estão em todo o lado?


A China matou mais Uígures (quem?) ontem do que tibetanos antes, durante e depois das Olimpíadas. Ou que o governo do Irão em mais de uma semana de protestos. Mas não faz mal, porque os Uígures são muçulmanos e basta rotular a sua insatisfação de "fundamentalismo islâmico" para justificar qualquer repressão. 

Desde que a guerra fria acabou que os povos muçulmanos um pouco por todo o mundo perderam o direito à insurreição, um direito inalienável de todos os povos oprimidos e/ou ocupados. Em muitos casos, o único direito que tinham. 

Tal como os afegãos eram heróicos combatentes da liberdade, os uígures também seriam um povo do caraças se o papão comunista ainda estivesse vivo. O problema deles é que a implosão da União Soviética tornou necessário encontrar uma nova ameaça que justificasse as despesas militares. Como não havia país que se aproximasse do Perigo Vermelho, optou-se pelo fundamentalismo islâmico. 

A grande vantagem do novo inimigo é que não pode ser derrotado mas não representa uma verdadeira ameaça. A guerra contra o terror (uma frase brilhante) só precisa de acabar quando já não for necessária. Ou quando aparecer um inimigo novo. Que tal os chineses? Não, que são nossos aliados na guerra contra o terror. E depois, têm bombas atómicas e dinheiro e as coisas podiam tornar-se sérias.

O Islão é o novo bicho papão do ocidente. As ditaduras de todo o mundo agradecem. 

Quinta-feira, 2 de Julho de 2009

Não falo com ninguém há 3 dias


Não devia ter arranjado headphones.

Segunda-feira, 29 de Junho de 2009

Abaixo o presidente Zelaya, viva o general Vásquez


Desde 1983 que não acontecia um golpe de estado na América central.
O exército das Honduras pegou no presidente, enfiou-o, ainda em pijama, num avião para a Costa Rica e apresentou ao Congresso do país uma carta de demissão, que o presidente raptado afirma não ter escrito. 

Ao bom estilo latino-americano, Zelaya queria mudar a constituição para acabar com o limite nos números de mandatos do presidente. O referendo para mudar a lei foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal das Honduras. O presidente não quis saber e pediu a ajuda das forças armadas para prosseguir com o referendo. Quando o exército se recusou a ajudar, o presidente demitiu o comandante, o general Vásquez. O Supremo Tribunal disse que a demissão era ilegal e reinstituiu o general. O general, possivelmente ainda irritado, mandou meter o presidente num avião.  Ou coisa do género. Obama já disse que os Estados Unidos não têm culpa. Hugo Chávez já disse que a culpa é dos gringos.

Nada pode ser mais reconfortante numa segunda feira chuvosa do que descobrir que ainda há uma república das bananas. E que temos a sorte de não viver lá.

Sexta-feira, 26 de Junho de 2009

Quem era este rapaz cheio de talento?



Uma recordação de quando ele estava vivo. Em mais do que um sentido.